O decreto
do governo Federal que extinguiu mais de 27.500 cargos efetivos do seu quadro
de pessoal tem impacto principal no Ministério da Saúde: na pasta estão cerca
de 81% do total de cargos a serem extintos em um número que chega a 22.476.
Desse total que afeta o Ministério da Saúde, 10.661 são de agente de saúde
pública.
O presidente do Sindicato dos
Agentes de Saúde em da Região Centro Sul, Josué Alves Ribeiro, explica que os
cargos que serão extintos não são dos já conhecidos Agentes Comunitários de
Saúde (ACS) ou Agentes Comunitários de Endemias (ACE): “são os antigos
funcionários da Sucam (Superintendência de Campanhas de Saúde Pública), devido
a nomenclatura ser bastante semelhante à nossa gerou toda essa dúvida”,
afirmou.
Ele lembra que os agentes
comunitários de saúde e agentes de endemias são cargos protegidas pela lei Ruth
Brilhante, promulgada em 2018.
Segundo ele, o trabalho em Goiás
segue normalmente com as ações de combate ao Aedes Aegypti pelos agentes de
endemias, como na prevenção e acompanhamento das famílias por parte dos agentes
comunitários de saúde.
Para ele, dificilmente o programa de agentes de saúde do SUS acabará. “A
mobilização nacional, estadual e nos municípios por parte dos Agentes de Saúde
é muito forte, existe sim algumas mudanças acontecendo no âmbito do trabalho da
categoria, porém são mecanismos que vem dinamizar o dia a dia de todos”. Ele
acrescenta: “A Federação Estadual dos ACS e ACE está ligada em tudo que
acontece relacionado a categoria, com isso podemos dizer que dificilmente
extinguiram mais de 300 mil cargos em todo país”.
Josué lembra que em alguns municípios, como em Senador Canedo, município
onde também atua como Presidente do Conselho Municipal de Saúde, os agentes
comunitários de saúde já trabalham com tablete o que ajuda na atuação da
categoria.
Outros cargos
Já o presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal em
Goiás (Sintesp/GO), Ademar Rodrigues, o governo Bolsonaro está tentando “acabar
do SUS, que depende muito do serviço federal”. Segundo os dados do Sindicato,
no quadro pessoal da saúde 65% já estariam aposentados e em quatro anos o
restante que ainda está na ativa deve ser aposentar. Assim, cerca de 300 vagas
estariam extintas no Estado.
Ele lembra que atualmente a questão da vigilância epidemiológica se
concentra por parte dos municípios e Unidades Federativas, porém, outros postos
importantes (como enfermeiras e médicos) deixariam de existir e segundo Ademar,
afetaria serviços em Goiás.
Ademar também cita que a municipalização dos agentes comunitários deixa de
cobrir parte de zonas rurais dos municípios, o que para ele está ligado a volta
de doenças como sarampo, leishmaniose, malária, etc. “Isso porque os órgãos
como a Sucam, faziam trabalho de campo na área rural, hoje não estão mais
cobertos. Esperávamos recuperar, estava planejado uma força-tarefa nacional
para quando surgisse epidemia ela fosse controlada, mas isso não foi
realizado”, lamenta.
Publicado por Diário de Goiás – Sara Queiroz