Estimativa
é de pesquisadores britânicos.
O número de pessoas infectadas por um vírus que já matou duas pessoas na
China ultrapassa, provavelmente, mil casos e é muito superior àquele informado
pelas autoridades locais, segundo investigadores britânicos.
As autoridades chinesas disseram que o surto de pneumonia viral afetou pelo
menos 41 pessoas e que o foco da epidemia está em Wuhan, uma cidade de 11
milhões de pessoas no centro da China.
Contudo, em artigo publicado na sexta-feira (17) por cientistas de um centro
de pesquisa do Colégio Imperial de Ciência, Tecnologia e Medicina de Londres
aponta que o número de pessoas infectadas na cidade chinesa e, provavelmente,
muito superior.
Investigadores do Centro de Análise Global de Doenças Infeciosas, que
aconselha instituições como a Organização Mundial de Saúde (OMS), estimam que
“um total de 1.723 casos” em Wuhan apresentavam sintomas da doença
desde 12 de janeiro.
Os cientistas usaram o número de casos detectados até agora fora da China –
dois na Tailândia e um no Japão – para estimar o número de pessoas que
provavelmente estão infetadas em Wuhan, com base em dados de voos
internacionais que partem do aeroporto daquela cidade.
“Para Wuhan exportar três casos para outros países, deve haver muito
mais casos do que o anunciado”, disse o professor Neil Ferguson, um dos
autores, à emissora pública britânica BBC.
“Estou muito mais preocupado do que estava há uma semana”,
acrescentou.
Em Hong Kong e em Macau, as autoridades intensificaram as medidas de
detecção, que inclui um rigoroso controle de temperatura para viajantes e
turistas. No antigo território administrado por Portugal, estas ações também
ocorrem na entrada dos casinos, já que Macau recebe em média mais de três
milhões de visitantes por mês.
Os Estados Unidos já anunciaram que vão começar a filtrar voos diretos de
Wuhan para os aeroportos de São Francisco e Nova York, assim como em Los
Angeles, onde há muitas conexões internacionais.
As autoridades internacionais de saúde já admitem que possa ter havido um
caso de contágio entre pessoas no surto de pneumonia viral na China, mas
afirmam que “não há uma indicação clara e sustentada de transmissão”
entre humanos.
O Centro Europeu de Controlo de Doenças afirmou também que é “impossível
quantificar o potencial de transmissão entre humanos” deste novo vírus
detectado na China.
São poucos os casos sem conexão direta com um mercado de marisco em Wuhan,
mas as autoridades ainda desconhecem a fonte de infecção ou o modo de
transmissão.
Esta semana, em Portugal, a Direção-Geral da Saúde garantiu que o surto de
pneumonia viral na China já estaria contido, indicando que uma eventual
propagação “não é uma hipótese neste momento a ser equacionada”.
“Não temos que estar alarmados, é preciso é estarmos atentos”,
afirmou na quarta-feira a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, aos
jornalistas, sublinhando que o coronavírus detetado na China não será
transmissível de pessoa a pessoa.
Publicado Por RTP* Londres /
Agência Brasil / *Emissora pública de
televisão de Portugal