sábado, fevereiro 7, 2026
Home Blog Página 83

Crédito concedido por bancos deve crescer 11,1% este ano, estima BC

0

Previsão é maior que a do relatório anterior, de 8%

O saldo do crédito concedido pelos bancos deve crescer 11,1% este ano, de acordo com o Relatório de Inflação, publicação trimestral do Banco Central (BC), divulgado hoje (24), em Brasília. A estimativa é maior do que a observada no relatório anterior: 8%. 

“O aumento decorre da mencionada surpresa referente à evolução do saldo nos últimos três meses e da reavaliação na trajetória esperada para o crédito, em contexto de maior atividade econômica, reedição do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) e desta vez como linha de crédito permanente,e novas medidas de postergação de pagamentos”, assegura o BC.

Em 2020, o saldo do crédito cresceu 15,6%, com alta de 11,2% para famílias e 21,8% para empresas. Para 2021, essa projeção de 11,1% vem do crescimento de 13,5% no crédito para famílias e de 8% para pessoas jurídicas.

“Em resumo, a revisão na projeção de crescimento do estoque total de crédito para 2021 não trouxe mudanças qualitativas relevantes em relação ao cenário esperado no relatório anterior. Ainda se espera a volta do protagonismo do crédito às famílias no SFN [Sistema Financeiro Nacional] em ambos os segmentos. Porém, a incorporação no cenário de novos estímulos creditícios para as pequenas e médias empresas diminuiu a intensidade da desaceleração esperada no segmento de pessoa jurídica (PJ) direcionado”, afirma o relatório.

Para o crédito livre, a projeção de expansão é 13,5%, com aumentos de 14% e 13% para os saldos de empréstimos a pessoas físicas e jurídicas, respectivamente. A expectativa para o crédito direcionado é de aumento de 7,7% em 2021, com alta de 13% para as pessoas físicas e estabilidade para as empresas.

O crédito livre é aquele em que os bancos têm autonomia para emprestar o dinheiro captado no mercado e definir as taxas de juros cobradas dos clientes. Já o crédito direcionado tem regras definidas pelo governo, e é destinado, basicamente, aos setores habitacional, rural, de infraestrutura e ao microcrédito.

Análise

De acordo com o Banco Central, os dados do mercado de crédito divulgados desde o último relatório mostraram desempenho acima do esperado em todos os segmentos, com destaque para a trajetória do crédito direcionado, que surpreendeu nas operações com pessoas físicas e jurídicas. No crédito livre, houve destaque para o aumento nas contratações de pessoas jurídicas em março, principalmente nas linhas de desconto de recebíveis e financiamento às exportações.

Nos financiamentos às empresas com recursos livres, a projeção passou de 10% para 13%, considerando o maior crescimento econômico e perspectivas favoráveis para o setor exportador. Em relação ao crédito direcionado para as empresas, a projeção passou a contemplar novo aporte ao Fundo de Garantia de Operações (FGO), responsável por oferecer garantias às operações do Pronampe, assim como medidas pontuais de prorrogação de pagamentos. Com isso, a expectativa do BC é que o saldo de crédito registre estabilidade nesse segmento, em comparação com a projeção de queda de 7% no relatório anterior.

No segmento de pessoas físicas, a projeção subiu de 12% para 14% no saldo dos empréstimos com recursos livres, com maior contribuição das operações de cartão de crédito à vista e financiamento de veículos. 

“A despeito do recrudescimento da pandemia, a resiliência desse segmento se mostrou uma surpresa, com efeitos bem menos intensos do que os vistos no ano passado”, explica o relatório. No crédito direcionado, a projeção de crescimento foi revista de 11% para 13%, influenciada pelo volume de concessões crescente nos financiamentos imobiliários no contexto de taxas de juros ainda baixas e pelo aumento nas contratações do crédito rural, em linha com o bom desempenho do setor agrário.

Edição: Kleber Sampaio

Publicado em 24/06/2021 – 11:08 Por Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil – Brasília

BC projeta “ligeiro superávit” de US$ 3 bilhões para contas externas

0

Estimativa para 2021 corresponde a 0,2% do Produto Interno Bruto

O Banco Central (BC) manteve a projeção para o saldo das contas externas neste ano em 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de todos os bens e serviços produzidos no país). A previsão está no Relatório de Inflação, publicação trimestral do BC, divulgado hoje (24).

No documento, o órgão elevou a estimativa de crescimento da economia de 3,6% para 4,6% em relação ao relatório anterior, de março. Com isso, o “ligeiro superávit” previsto para as transações correntes, que são as compras e vendas de mercadorias e serviços e transferências de renda do Brasil com outros países, passou de US$ 2 bilhões para US$ 3 bilhões em 2021.

Segundo o BC, a projeção tem mudanças pontuais em sua composição. “Em relação ao cenário anterior, as alterações incorporam preços de commodities mais altos, crescimento maior da atividade doméstica e internacional e taxa de câmbio mais baixa.”

Na balança comercial, mantém-se a projeção do saldo de US$ 70 bilhões, enquanto se espera maior corrente de comércio. A previsão de valor recorde das exportações, de US$ 280 bilhões é atribuída principalmente ao aumento disseminado dos preços das exportações, em especial minério de ferro, petróleo e soja. Por outro lado, as vendas de produtos manufaturados não devem recuperar o patamar de 2019, perdendo espaço.

Parte relevante do aumento esperado das importações, de US$ 186 bilhões para US$ 210 bilhões reflete mudanças na série histórica divulgada pelo Ministério da Economia . Além disso, segundo o BC, a atividade doméstica mais forte e o real mais valorizado têm impactado positivamente as importações, em particular as de bens intermediários.

As contas de serviços e de renda primária também foram revisadas e em direções opostas. A redução do déficit em serviços (viagens internacionais, transporte, aluguel de equipamentos, entre outros), de US$ 26 bilhões para US$ 19 bilhões, é motivada principalmente pelos menores gastos com aluguel de equipamentos, especialmente no setor petroleiro.

Na renda primária (lucros e dividendos, pagamentos de juros e salários), a perspectiva mais otimista para a atividade doméstica e o impacto positivo dos preços de commodities para empresas exportadoras levou ao aumento da projeção de despesas na conta de lucros e dividendos, de déficit de US$ 24 bilhões para déficit US$ 28 bilhões. No total, a projeção da renda primária foi de déficit de US$ 47 bilhões para déficit US$ 51 bilhões.

Investimento estrangeiro

No caso de um país registrar saldo negativo em transações correntes, é preciso cobrir o déficit com investimentos ou empréstimos no exterior. A melhor forma de financiamento do saldo negativo é o investimento direto no país (IDP), porque os recursos são aplicados no setor produtivo.

A projeção para os ingressos líquidos de IDP segue em US$ 60 bilhões (3,8% do PIB) em 2021. “Todavia, espera-se maior contribuição do componente de participação no capital, que deve refletir a aceleração dos lucros e o melhor desempenho da economia, contrabalançado por entradas líquidas menores de empréstimos intercompanhia”, diz o relatório. Em 2020, foram registrados US$ 34,2 bilhões (2,38% do PIB) de investimentos externos no Brasil.

Já a projeção de entrada de investimentos em carteira passivos foi elevada, de US$ 10 bilhões para US$ 21 bilhões. Se confirmada, 2021 será o primeiro ano com entradas líquidas nessa conta desde 2015.

“O aumento do diferencial de juros entre Brasil e as principais economias avançadas, que torna os instrumentos de dívida locais mais atrativos, deve se tornar fator relevante para atração de capitais. Adicionalmente, em ambiente de melhora na percepção do risco-país, a conta de títulos no país deve refletir o aumento das emissões líquidas de títulos pelo Tesouro Nacional, resultando em novos ingressos ainda que a participação de estrangeiros se mantenha em níveis historicamente baixos.

A conta de ações, após três anos de saídas líquidas, deve encerrar o ano em terreno positivo, refletindo o ambiente de menor volatilidade nos mercados globais e cenário mais favorável para a atividade econômica no país”, diz o relatório.

Para os outros investimentos passivos – que incluem essencialmente depósitos, empréstimos e créditos comerciais – o aumento do diferencial de juros deve beneficiar a entrada de empréstimos de longo prazo no restante do ano. De acordo com o BC, o movimento, no entanto, tende a ser contrabalançado por saídas líquidas na conta de créditos comerciais, que teve entradas significativas até abril.

Assim, a projeção total da conta de outros investimentos passou de saídas de US$ 4 bilhões para entradas líquidas de US$ 9 bilhões no ano.

Edição: Maria Claudia

Publicado em 24/06/2021 – 11:34 Por Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil – Brasília

China planeja primeira missão tripulada a Marte em 2033

Meta é construir base habitada permanente no planeta

A China pretende enviar sua primeira missão tripulada a Marte em 2033, seguida de voos frequentes, de acordo com um plano de longo prazo para construir uma base habitada permanente no planeta vermelho e extrair seus recursos.

O plano ambicioso, que intensificará uma corrida com os Estados Unidos para instalar humanos em Marte, foi revelado em detalhes pela primeira vez desde que a China pousou um jipe robótico em Marte, em meados de maio, em sua missão inaugural ao planeta.

Lançamentos tripulados rumo a Marte estão planejados para 2033, 2035, 2037, 2041 e além, disse o chefe do principal fabricante de foguetes chinês, Wang Xiaojun, em uma conferência sobre exploração espacial na Rússia recentemente. por meio de videochamada.

Antes de as missões tripuladas começarem, a China enviará robôs a Marte para estudar possíveis locais para a base e para construir sistemas de extração de recursos, relatou a agência oficial Notícias Espaciais da China na quarta-feira (23), citando Wang, que comanda a Academia de Tecnologia de Lançamento de Veículos da China.

Para a habitação humana em Marte, as equipes teriam que usar os recursos do planeta, como extrair qualquer água sob a superfície, produzir oxigênio no local e gerar eletricidade.

A China também precisa desenvolver a tecnologia para enviar os astronautas de volta à Terra.

Uma missão não tripulada de ida e volta para obter amostras de solo marciano é esperada até o final de 2030.

Publicado em 24/06/2021 – 13:09 Por Ryan Woo e Liangping Gao – Repórteres da Reuters – Pequim

Museu Nacional recupera imagens do Fundo Bertha Lutz

0

Acervo foi perdido no incêndio de 2 de setembro de 2018

O Museu Nacional, vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), anunciou hoje (24) a recuperação das imagens do Fundo Bertha Lutz, que faziam parte do acervo da Seção de Memória e Arquivo do museu e foram perdidas no incêndio de setembro de 2018.

Bertha Maria Júlia Lutz nasceu em São Paulo, no dia 2 de agosto de 1894, e morreu no Rio de Janeiro, em 16 de setembro de 1976. Foi ativista feminista, bióloga e política brasileira. Era filha do cientista Adolfo Lutz, pioneiro da medicina tropical, e de Amy Fowler, enfermeira inglesa. Especializada em anfíbios, trabalhou como pesquisadora durante mais de 40 anos no Museu Nacional.

Bertha Lutz integrou a delegação brasileira que participou da Conferência de São Francisco, nos Estados Unidos, em 1945, onde lutou para incluir menções sobre igualdade de gênero no texto da Carta das Nações Unidas. Apesar de quatro mulheres terem assinado a carta, apenas Bertha Lutz e a delegada da República Dominicana, Minerva Bernardino, defenderam os direitos femininos.

Bertha Lutz
Bertha Lutz – Divulgação do Museu Nacional

Novo acervo

As imagens do Fundo Bertha Lutz vão integrar o novo acervo digital do Museu Nacional graças à produção do documentário Bertha Lutz – A Mulher na Carta da ONU, da HBO Latin America Originals, que cedeu as imagens da vida de Bertha, narrado a partir do olhar das cientistas Fatima Sator e Elise Luhr Dietrichson, que tiveram contato com as pesquisas de Bertha Lutz na Universidade de Londres. As duas cientistas revisitaram a memória da ativista em documentos, cartas, e também nos lugares em que Bertha Lutz viveu.

O diretor do Museu Nacional, Alexander Kellner, disse à Agência Brasil que a doação é mais uma das iniciativas para recomposição do acervo do museu. “Particularmente documentos em imagens que podem ser digitalizados e, assim, eternizados e distribuídos com mais facilidade”, disse.

Ícone da história

Segundo a diretora adjunta de Coleções do Museu Nacional, Cristiana Serejo, Bertha Lutz foi uma pessoa icônica para a história brasileira. “Com formação em biologia, foi professora emérita especialista em anfíbios Anura do Museu Nacional/UFRJ. Filha do renomado cientista e sanitarista Adolfo Lutz, teve destaque na ciência e em promover o legado do pai para gerações futuras. Se valendo do papel de cientista mulher bem-sucedida, Bertha participou ativamente e foi líder dos movimentos sufragistas e feministas do início do século 20. Bertha acreditava na associação como possibilidade de alterar a realidade, em especial das mulheres”.

Cristiana Serejo disse que isso fica claro no grande rol de associações femininas que Bertha Lutz fundou no país, entre as quais a Liga para Emancipação Intelectual da Mulher, em 1919; a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, em 1922; União Universitária Feminina, em 1929; a União Profissional Feminina e a União das Funcionárias Públicas, em 1933.

Bertha Lutz
Bertha Lutz – Divulgação do Museu Nacional

O fundo Bertha Lutz estava depositado na Seção de Memória e Arquivo do Museu Nacional (Semear), sob gestão da professora Maria da Graças Souza Filho e foi totalmente perdido no incêndio de 2 de setembro de 2018. A partir daí, foi considerado Patrimônio Documental Perdido ou Desaparecido pelo Comitê Nacional do Brasil do Programa Memória do Mundo da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

“Sendo assim, doações de imagens e documentações pertinentes ao fundo Bertha são de extrema importância para que o museu possa recompor esse acervo no formato digital e que, de alguma forma, possa minimizar essa perda de valor incalculável. Estamos trabalhando ativamente para recuperar esse e outros documentos históricos do Museu Nacional para que em algum momento possamos compartilhar tais informações com a sociedade via plataformas digitais”, disse a diretora adjunta de Coleções do museu.

Edição: Fernando Fraga

Publicado em 24/06/2021 – 13:23 Por Alana Gandra – Repórter da Agência Brasil – Rio de Janeiro

Governo libera R$ 38 milhões para conclusão da Barragem de Oiticica

Bolsonaro criticou denúncias de corrupção em seu governo

O presidente Jair Bolsonaro fez hoje (24) uma visita à Barragem de Oiticica, localizada em Jucurutu, no Rio Grande do Norte, onde anunciou a liberação de R$ 38 milhões para a conclusão da obra que se encontra 90% pronta e tem previsão de ser finalizada até dezembro deste ano. A obra receberá as águas do Eixo Norte do Projeto de Integração do Rio São Francisco.

Na sequência, Bolsonaro assinará a ordem de serviço para a construção do Ramal do Apodi, obra que, a um custo de R$ 938,5 milhões, levará água a 54 municípios e beneficiará cerca de 750 mil pessoas no Rio Grande do Norte, Paraíba e Ceará.

Denúncias

Durante seu discurso, Bolsonaro criticou as denúncias de que seu governo teria cometido irregularidades para a contratação de 20 milhões de doses da vacina Covaxin. O imunizante contra a covid-19 é produzido pela farmacêutica indiana Bharat Biotech, representada no Brasil pela Precisa Medicamentos.

“O governo está completando 2 anos e meio sem uma acusação sequer de corrupção. Não adianta inventar vacina porque não recebemos uma dose sequer dessa que entrou na ordem do dia da imprensa ontem. Temos o compromisso de, se algo tiver errado, apurar. Mas, até o momento, não temos um só ato de corrupção”, discursou o presidente.

O deputado federal Luís Miranda (DEM-DF) disse ter documentos comprovando irregularidades na contratação de 20 milhões de doses da vacina Covaxin. O deputado disse ter levado pessoalmente a denúncia a Bolsonaro, no dia 20 de março, acompanhado de seu irmão, Luís Ricardo Fernandes Miranda, que é chefe de importação do Departamento de Logística do Ministério da Saúde.

Segundo o deputado, seu irmão teria sofrido pressão de superiores para acelerar a aprovação do contrato na pasta. O contrato entre o Ministério da Saúde e a Precisa Medicamentos/Bharat Biotech foi assinado no dia 25 de fevereiro, com investimento total de R$ 1,614 bilhão. O imunizante ainda aguarda autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ser aplicado na população brasileira.

Diante da denúncia, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Onyx Lorenzoni, afirmou ontem (23) que, por determinação de Bolsonaro, o governo vai mandar a Polícia Federal (PF) investigar o deputado do Democratas. “Quero alertar ao deputado Luís Miranda que o que foi feito hoje [ontem] é, no mínimo, denunciação caluniosa. E isso é crime tipificado no Código Penal”, afirmou Lorenzoni ao anunciar a intenção do governo em abrir investigação sobre as declarações de Luís Miranda.

Edição: Lílian Beraldo

Publicado em 24/06/2021 – 14:13 Por Pedro Peduzzi – Repórter da Agência Brasil – Brasília

MEC divulga escolas que receberão apoio do Programa Brasil na Escola

0

Pasta vai destinar R$ 200 milhões aos estabelecimentos escolhidos

O Ministério da Educação divulgou hoje (23) a relação das escolas públicas selecionadas para receber ajuda técnica e financeira federal por meio do Programa Brasil na Escola (PBE). A pasta prevê destinar mais de R$ 200 milhões aos estabelecimentos de ensino municipais e estaduais já validados.

O apoio técnico e financeiro é um dos três eixos estruturantes do PBE, junto com a valorização de boas práticas e a inovação. Entre os objetivos do auxílio estão o aprimoramento das competências e habilidades de gestão escolar a partir do uso de informações educacionais e evidências científicas e o aperfeiçoamento da organização pedagógica e escolar, de modo a implementar projetos e rotinas que permitam a melhoria das aprendizagens e diminuição da reprovação.

A lista completa das escolas está disponível no site do ministério.

Edição: Denise Griesinger

Publicado em 24/06/2021 – 15:16 Por Agência Brasil – Brasília

Pandemia mudou a relação dos brasileiros com tecnologias bancárias

0

Transações pelo celular ultrapassam 50% das operações, diz Febraban

Posso fazer um pix? Posso transferir pelo celular? As perguntas, cada vez mais comuns, entre as pessoas e as empresas, mostra o que o uso das tecnologias bancárias tem se tornado cada comum, até por quem não confia muito nas transações bancárias pelo celular.

Impulsionado pela pandemia da covid-19 e as medidas de isolamento social, iniciadas em março do ano passado, o uso do celular é o canal favorito dos brasileiros para pagar contas, fazer transferências, contratar crédito e as demais operações bancárias entre outras ações.

No ano passado, pela primeira vez, as transações realizadas no mobile banking – os aplicativos bancários – representaram mais da metade (51)% do total das operações feitas no país, revela a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2021 (ano-base 2020), divulgada hoje no Congresso e Exposição de Tecnologia da Informação das Instituições Financeiras (CIAB) realizada pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) 2021.

O número de transações feitas pelo celular chegou a 52,9 bilhões, ante 37 bilhões no ano anterior. Em todos os canais bancários (celular, internet, maquininhas, agências, caixas eletrônicos, correspondentes bancários e contact centers), o total das operações feitas pelos clientes chegou a 103,5 bilhões, um crescimento de 20% – o maior dos últimos anos do estudo, realizado pela Deloitte.

Juntos, os canais digitais (internet banking e mobile banking) concentram 67% de todas as transações (68,7 bilhões) e são responsáveis por 8 em cada 10 pagamentos de contas, e por 9 em cada 10 contratações de crédito. Entre os 21 bancos que participaram do levantamento, 8 responderam que foram abertas 7,6 milhões de contas pelos canais digitais, uma alta de 90% ante 2019.

A pesquisa também mostrou que um cenário de pandemia, os bancos continuam aumentando seus gastos com tecnologia bancária, totalizando R$ 25,7 bilhões no ano passado, um aumento de 8% em relação a 2018. E também revelou que 10% do orçamento de Tecnologia da informática é voltado para a cibersegurança, com o objetivo de garantir transações com total segurança para os brasileiros em seu dia a dia.

“Os resultados de nossa pesquisa, mais uma vez, mostram um investimento maciço da indústria bancária em tecnologia, usabilidade e oferta de novos serviços, em um ano extremamente desafiador, no meio da maior crise de saúde e com graves consequências econômicas no mundo inteiro. Continuamos com uma tecnologia bancária de ponta, inovadora, moderna, segura e acessível, o que permitiu que nossos clientes ficassem em casa e sequer precisassem ir aos bancos para pagar suas contas, conferir suas finanças, e tocar seus negócios”, avalia o presidente da Febraban, Isaac Sidney.

Auxílio emergencial

A pesquisa revelou que as transações com movimentação financeira feitas pelo celular registraram um salto de 64% em 2020, impulsionadas pelo contexto da pandemia e do auxílio emergencial. Praticamente, todas as operações disponíveis para os clientes bancários pelo smartphone cresceram em 2020: contratação de investimentos (+63%), transferências/DOC/TED (+60%), pagamentos de contas (+51%), contratação de crédito (+44%).

Segundo o levantamento, o total de contas ativas no mobile banking (conta com alguma movimentação nos últimos seis meses) mais que dobrou, passando de 92,4 milhões para 198,2 milhões. Deste total, 70 milhões foram abertas devido ao auxílio emergencial. Entretanto, o estudo mostra que mesmo sem considerar o efeito do auxílio emergencial, o crescimento teria sido de 39%. Já os clientes heavy users (que utilizam mais de 80% das transações em um único canal) registraram um crescimento de 113%, passando de 35,7 milhões para 76,3 milhões no ano passado.

“Com a popularização dos serviços financeiros pelos canais digitais, continuamos avançando no terreno importante da inclusão financeira no Brasil, especialmente com o mobile banking, que permite carregar o banco em seu bolso e acessar em qualquer hora ou local, serviços antes restritos a agências bancárias. Praticamente, todas as operações bancárias podem ser feitas de forma eletrônica”, afirma Rodrigo Mulinari, diretor setorial de Tecnologia e Automação Bancária da Febraban.

Durante o CIAB, o diretor destacou ainda a entrada dos novos usuários no uso das tecnologias para o celular. “A pandemia trouxe um número muito grande de clientes que tiveram o primeiro contato com os canais digitais, e essas pessoas permanecerão nos canais digitais, lembrando que ele sempre terá a escolha dos demais canais e a escolha é sempre do cliente”.

PIX

Neste ano, a pesquisa trouxe um recorte especial sobre o Pix- sistema de pagamento instantâneo, que entrou em vigor em 16 de novembro do ano passado. Entre os destaques, o levantamento mostra que a nova ferramenta ampliou significativamente a sua participação na composição de transações bancárias, ganhando espaço sobre pagamentos via transferências tradicionais (DOC/TED).

Em novembro, entre os 21 bancos pesquisados, as transações pelo Pix somaram 59,2 milhões, número que foi para 338,2 milhões em março deste ano, um crescimento de 471%; enquanto as transferências caíram de 229,4 milhões para 218,5 milhões no mesmo período. A pesquisa mostrou que o número de usuários cadastrados com mais de 30 recebimentos por Pix no mês aumentou de 6 mil para 519 mil em março.

Cibersegurança

Os aplicativos bancários para celular ganharam destaque após o caso do vereador de São Paulo ter R$ 67mil transferido  de sua conta bancária após o roubo de seu celular. Apesar desse e de outros relatos de casos semelhantes, a Febraban esclareceu, por meio de nota, que os aplicativos dos bancos contam com o máximo de segurança em todas as suas etapas, desde o seu desenvolvimento até a sua utilização. “Portanto, não existe qualquer registro de violação da segurança desses aplicativos, os quais contam com o que existe de mais moderno no mundo para este assunto. Além disso, para que os aplicativos bancários sejam utilizados, há a obrigatoriedade do uso da senha pessoal do cliente”, completa a nota.

Como funciona o golpe

Muito dos roubos ocorrem em vias públicas durante o uso do celular pelas pessoas. Dessa forma, os criminosos têm acesso ao celular já desbloqueado e, a partir daí, realizam pesquisas no aparelho buscando por senhas eventualmente armazenadas pelos próprios usuários em aplicativos e sites. De posse dessas informações, tentam ingressar no aplicativo do banco.

“O que a gente percebeu é que o ladrão rouba o celular, ele está aberto e o ladrão procura se há algum lugar que tem alguma senha ou credencial. Não posso afirmar que foi esse o caso, mas é uma prática que a gente orienta a não fazer, mas reitero que os canais digitais são extremamente seguros, essa preocupação é constante nesse segmento”, destacou Mulinari durante o CIAB.

Na última sexta-feira (18), a Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor São Paulo (Procon-SP) notificou dez bancos e três associações do setor financeiro para que mostrem não existirem falhas na segurança dos aplicativos (apps) das instituições.

Metodologia da pesquisa

A edição deste ano é a 29ª do estudo, que revela, de forma consolidada, as tendências de investimentos e do uso da tecnologia no setor financeiro, além de analisar a relação dos consumidores com os canais de atendimento bancários. Vinte e um bancos responderam o questionário, representando 87% dos ativos da indústria bancária no Brasil. Neste ano, o levantamento também ouviu 17 executivos atuantes na área de tecnologia bancária de 10 bancos. Também foram incluídas informações de dados públicos e de pesquisas da Deloitte.

Edição: Valéria Aguiar

Publicado em 24/06/2021 – 15:25 Por Ludmilla Souza – Repórter da Agência Brasil – São Paulo