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Arquivo. A Praça Central e suas “estórias” – Matéria publicada em 2011

Entendemos que as praças públicas são tradicionais e que devem ser preservadas, a não ser quando há a necessidade premente de algum reparo.

Após muita relutância resolvi tecer comentários a respeito de assuntos que estão sempre em evidência em nossa cidade. No momento, o assunto da vez é a conturbada e agressiva reforma da Praça Central Gaudêncio Rincon Segóvia, que foi uma das mais belas de Goiás, onde o povo tinha o lazer nas mais lindas noites do Brasil Central.  Antes, quero aqui ressaltar que não sou especialista em história da cidade de Pires do Rio, pois a construção dessa praça remonta os idos de 1940, oportunidade em que eu ainda não havia vindo a esse mundo. Mas, da década de 60 pra cá tenho um certo conhecimento, o que me autoriza de uma certa forma falar a respeito.

Eu até que poderia ser um tanto quanto incisivo e contundente em minhas palavras, pois o assunto assim o exigiria. Mas, o bom senso e a experiência de vida rezam que eu seja um pouco mais moderado e comedido. No fundo a vontade que a gente tem é de criticar e responsabilizar os culpados pela descaracterização da praça ao longo dos anos.

A praça central sempre foi motivo de questiúnculas, discussões e problemas. Se observarmos as fotos que estão afixadas no prédio da Administração, já na década de 40 o primeiro coreto ali construído foi demolido. E na mesma década foi construído outro, porém sem muita mudança arquitetônica. Inclusive o traçado das vielas da praça continuou sendo o mesmo. Ainda na década de 50 esse coreto foi outra vez demolido e novamente construído outro, que ali permaneceu até o final da década acima citada.

Conforme afirmei acima não sou nenhum “expert” em história piresina e nem me atrevo a tanto. Mas tive a grata oportunidade de encontrar um jornal denominado NOSSA FOLHA (que os mais antigos devem se lembrar) e que publicou uma extensa e excelente matéria a respeito dessa praça desde os seus primórdios. Evidentemente que não vou transcrever todo o conteúdo, mas é impressionante como a matéria é atual.

É como se o autor a tivesse escrito nos dias de hoje. O periódico já não existe mais. O seu fundador foi o Sr. Jucelino Siqueira e o Diretor Editorial o Sr. Jacy Siqueira, importante poeta e escritor piresinos. Esse exemplar encontrado foi o de nº 2, ano I, datado de 15 de junho de 1990, Sexta-feira.

Já se vão longos anos e ao ler a matéria na pág. 3, habilmente redigida pelo renomado Jacy Siqueira, podemos notar que a praça central de nossa cidade sempre foi motivo de controvérsias. Com certeza os habitantes daquela época também não gostaram das modificações do coreto e da própria praça. O desgosto ainda persiste nos dias de hoje. Tem gente que está gostando e aplaudindo a reforma da praça, outros não. Há quem invoque a tradição, como é o meu caso. O escritor Jacy Siqueira, do alto de sua sapiência, registra os primórdios da construção da praça:

“… Nos primeiros tempos da cidade, Dª Rosalina Sampaio, mulher do fundador Lino Teixeira Sampaio, destinou a área para a construção de uma igreja de invocação de Nossa Senhora da Abadia, sua santa de fé. Aí chegou a ser construída uma capela, que por vários anos ficou inacabada e veio a ser demolida por iniciativa do Dr. Cavalcanti, o primeiro médico residente em Pires do Rio…Os tijolos retirados da extinta capela foram aproveitados num cemitério, que já não existe”.

Continuando: “… Quando assumiu a Prefeitura de Pires do Rio, o Dr. Joaquim Câmara Filho (1º/jun.1932-31/mar.1934) optou por construir um jardim público (como se dizia na época) na área doada por Dª Rosalina Sampaio para a Igreja. Assim começou a nascer à praça que por muitos anos foi denominada Marechal Floriano, hoje Praça Gaudêncio Rincon Segóvia, a principal e mais antiga da cidade de Pires do Rio.

Nos anos 40, sendo Prefeito Municipal o Dr. Taciano Gomes de Melo, a nossa praça foi toda cercada de arame farpado para que pudesse ser ajardinada. Foram plantadas as palmeiras, das quais poucas ainda existem, os “fícus” de folhas miúdas, as roseiras e grama e, quando aberta ao público, uma “dama da noite” deixava o seu perfume ir longe, atraindo as pessoas. Acompanhando o passeio, bancos retos e sem encosto sob as sombras das buganvílias e cercados por “fícus”, na área interna bancos com encostos, oferta dos comerciantes da época, que os mais velhos buscavam fugindo das tardes quentes do verão, distraídos em longas conversas.

Seguindo a transcrição da matéria, observem a manifestação poética do autor: “… Ali pelas 17 horas chegavam às mães com seus filhos e os pequenos corriam livres pela praça, vivendo a alegria do espaço pejado de verde, sombra e frescor, enquanto umas mulheres liam romances e outras conversavam por vezes se ouvia um grito de chamamento ou de chamada. Mais tarde, depois do jantar, as moças aos pares ou de três ou quatro, os braços dados, passeavam no sentido anti-horário e os rapazes aos grupos junto ao meio-fio ou nos bancos apreciavam as belas que passavam. Os flertes, os recados, os bilhetes e quantos namoros assim ali não principiaram? Quantos piresinos ali sentiram o despertar do amor, ali não sofreu por amor, roubado ou ganhado o primeiro beijo! Quantos namoros ali começados, quantos casamentos ali combinados!”

Ah! Que época romântica… Que saudade desse tempo que não volta mais. O passado e a saudade na verdade são fragmentos de vida por nós vividos e que perduram enquanto o sangue circular em nossas veias. Por tudo isso um filme passa em nossas mentes… A Churrascaria Varanda… O Cine Teatro Eleusis… Os bailes e “festocas” no Turunas da Mata… A mesma praça… O mesmo banco.

Dando continuidade, vejam o que o escritor Jacy Siqueira escreveu: “… Vieram os anos 60 e com ele uma febre estranha de duvidosa modernidade. Ao ronco e à violência de trator de esteira tombaram os “fícus”, foram arrancadas as buganvílias e várias palmeiras, retiraram os bancos que hoje algumas pessoas guardam com carinho, abriram-se crateras enormes e a praça parecia mais um campo de guerra que sofrera pesado bombardeio. Depois… depois cobriram tudo com um túmulo, como se túmulo encerrasse o passado. Os automóveis ganharam dois estacionamentos, mas o povo ficou sem o passeio. Na verdade o povo fugiu da praça porque sentiu que a cidade morreu um pouco, Pires do Rio ficou sem seu cartão de visita, perdeu sua carteira de identidade, desapareceu a mais bela Praça de quantas em Goiás existiam e ainda existem”.

A matéria do Sr. Jacy Siqueira ainda menciona fatos a respeito do começo da INVASÃO da praça por “pit-dogs” e banca de revistas, a respeito até de um “pit-dog” que virou um bar com televisão e que só faltava mictório para ficar completo. Fala também sobre a ação do Prefeito da época que, preocupado com o que se poderia tornar aquele local, determinou a retirada de todos os “pit-dogs”, boteco e banca de revistas, mas que no frigir dos ovos alguns vereadores impediram. O autor termina sua matéria perguntando, assim como perguntou o poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade: “E agora, José?”.

Com essa “febre estranha de duvidosa modernidade” a atualidade dessas questões é impressionante. Ainda a pouco vimos não tratores de esteira, mas pás carregadeiras tentando demolir um dos poucos patrimônios históricos de nossa cidade, ou seja, o espelho d’água da fonte sonoro-luminosa, que ao ser visto do alto se parecia com o traçado do mapa do Estado de Goiás. Observamos também com indignação e tristeza a derrubada de várias árvores, algumas ali plantadas há muitos anos. Pouco a pouco, com o passar dos anos aquela época de romanticidade vai se definhando como uma planta que não é regada. A “dama da noite” não exala mais aquele perfume contagiante e quiçá poucos namoros ou poucos casamentos são ali combinados.

O quê vemos hoje? Brigas, desentendimentos, discussões, arrastões… Uma praça que está sendo reformada, mas que está sendo ao longo dos anos, DESCARACTERIZADA. A praça central está perdendo seu sentido mais amplo, ou seja, um local aprazível para descanso, conversas sóbrias, encontros. O espaço para os transeuntes vai sendo pouco a pouco adulterado, pois virou local para comércio. Aliás, esse tipo de coisa, como disse uma amiga minha já se tornou lugar comum na maioria das cidades. Hoje é impossível conter essas desmesuradas agressões.

Outro detalhe que observamos naquela praça é a diminuta arborização. O pouco que ainda restava está sendo gradativamente derrubado. Os motosserras têm desempenhado e bem o seu papel! O que se espera realmente é que o órgão responsável faça um replantio amplo, geral e irrestrito e o principal, com espécies de árvores adequadas para o local. Afinal, plantar é preciso. Outra coisa que se espera também tão logo a reforma seja concluída é a não autorização para eventos em que há a necessidade de se perfurar o calçamento.

Entendemos que as praças públicas são tradicionais e que devem ser preservadas, a não ser quando há a necessidade premente de algum reparo. Uma praça conhecida, a de Ipameri, sempre foi muito bem arborizada e que nunca foi alterada. O coreto lá ainda é o mesmo. A de Urutaí também sempre foi aquilo lá, inclusive o coreto. A praça principal de Catalão, na Av. 20 de Agosto, ainda é a mesma, com o mesmo traçado e o mesmo coreto. Isso sem mencionar outras praças da região. A nossa… coitada! Está pedindo socorro, pois volta e meia é agredida por reformas que só descaracterizam o local.

Mas, como piresinos que somos e que amamos essa terra, só nos restam esperar e desejar que a Praça Central Gaudêncio Rincon Segóvia (por falar nisso, por onde anda o busto do Sr. Gaudêncio?) que era uma das mais lindas de Goiás, volte a ser um lugar aprazível e onde a esperançosa população e as famílias piresinas tão carentes de diversão e opções de lazer, possam desfrutar da “alegria do espaço pejado de verde, sombra e frescor”, como disse o escritor Jacy Siqueira.

Por Paulo Roberto Silva.

Parteiras renascem com mais segurança e técnicas tradicionais

Profissão ainda precisa de auxílio financeiro e regulamentação.

Os sonhos frequentes com nascimento de bebês conduziram Naoli Vinaver, de 54 anos, para os caminhos da chamada parteria tradicional. A profissão milenar comemorada nesta segunda-feira (20) tem atraído o interesse de mulheres em todo o país.

Embora seja a única alternativa em diversos municípios, o parto normal e domiciliar auxiliado por parteiras ainda é cercado de mitos e desinformação. Para reverter esse cenário, mulheres que atuam na área buscam regulamentação e visibilidade para se consolidar como alternativa segura e natural.

A parteira Naoli cresceu na área rural de San Andres Tlalnelhuayocan, estado de Veracruz, no  México, e alia o conhecimento biomédico às práticas tradicionais, como aplicação de massagens para aliviar as dores do parto e o uso de chás com plantas medicinais. Ao longo de 40 anos de atividade, mais de 1,6 mil crianças já nasceram por meio de suas mãos.

“Durante três meses fiquei sonhando com partos e todos eles eram mulheres parindo, os bebês nascendo e eu ajudando. Os partos vinham com muitos detalhes, como se eu estivesse assistindo uma televisão e eu tinha que ajudar a essa mãe e esse bebê a um nascimento bem-sucedido. Depois dos sonhos, eu tinha que correr para biblioteca e começar a ler para entender o que eu tinha sonhado em um nível de fisiologia, anatomia, compreensão dos processos dos partos”, conta.

Segundo Naoli, nos casos em que atua, a taxa de transferência de mães e bebês para o hospital está abaixo de 2% – semelhante ao registrado pelas parteiras japonesas, consideradas referência no assunto. “Não conto com nenhuma morte materna, nenhuma morte de recém-nascido que não fosse por malformação incompatível com a vida, nenhum bebê morreu na minha mão. Eu me considero bem vinculada com a energia vital, de atrair a vida, de cuidar da vida”, diz.

Em geral, a gestante que opta pelo parto domiciliar com parteiras também faz o acompanhamento com a profissional. Segundo Naoli, o pré-natal inclui toda avaliação padrão, como acompanhamento de pressão sanguínea da mãe, crescimento do bebê, altura uterina, auscultação dos batimentos cardíacos do bebê. Há casos em que a gestante mantém as consultas regulares com médico obstetra.

As consultas com as parteiras, em sua maioria, são realizadas no local onde a gestante fará o parto, se estendem ao período após o nascimento do bebê e incluem o auxílio para amamentação. Quando é identificado risco para mãe ou bebê, o parto domiciliar pode ser descartado.

“É importante que a mulher entenda que biologicamente foi feita numa perfeição para engravidar, parir e maternar. Então, ela tem que reconectar, limpar preconceitos e medos culturais de que ela não é capaz, de que ela não é completa, de que o parto é perigoso. Isso é importantíssimo. A segurança vem do conhecimento, da informação e da conexão dela com o próprio bebê, com os processos do próprio corpo”, destaca.

Para Clarice Andreozzi, de 44 anos, ser parteira tradicional foi um chamado divino, uma missão espiritual. Há 22 anos ela atua na área e já trouxe ao mundo 262 bebês. A decisão, segundo ela, ocorreu após sofrer violência obstétrica em sua primeira gestação. “A minha experiência de maternidade e pós-parto me colocou no apoio às mulheres. Por toda a violência que eu sofri durante o parto, no trabalho de parto. Uma gestação com pouca informação e um parto de muito desamparo e muita dificuldade me fez com que eu tivesse o desejo de acolher, pelo menos, as mulheres que estavam próximas a mim para que elas não sofressem como eu sofri”, conta.

Formada em biologia, a parteira associa conhecimentos técnicos e a espiritualidade para aliviar dores e facilitar a chegada de crianças ao mundo. “Uso muitas ervas durante os partos, banhos de assento e trabalho muito com a esfera da fé, o que a parteria tradicional acrescenta, que são os usos das ervas, das orações. Alio essa parte da parteira tradicional com o conhecimento da técnica para garantir que o trabalho de parto está desenvolvendo bem”, descreve. “Não tem nada mais gratificante, não tem preço e nem como valorar a grande dádiva de ver bebê chegando de uma maneira harmônica. Cada bebê que eu tenho prazer de receber em minhas mãos é uma benção”, acrescenta.

Segundo Clarice, a mulher que opta pelo parto natural tem que buscar informações. “É necessário ter muita consciência do seu corpo, um pré-natal muito bem feito, alimentação boa, estar consciente”, esclarece.

No Distrito Federal, o acompanhamento por uma parteira tradicional varia de R$ 5 mil a R$ 10 mil. O valor é negociado conforme as condições financeiras das gestantes e inclui tanto o período pré-natal, quanto parto e o atendimento após o nascimento do bebê. O trabalho também pode ser remunerado por meio de trocas – tanto de serviços como bens.

Cenário

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 140 milhões de nascimentos acontecem todos os anos, a maioria sem complicações para mulheres e bebês. A organização considera como “razoável” o índice de 15% dos nascimentos por meio de cesárias. No Brasil, 55,6% do total de partos realizados anualmente são cirúrgicos.

Para reverter esse cenário, a Agência Nacional de Saúde (ANS) realiza uma campanha voltada para gestantes e profissionais de saúde sobre os riscos da realização de cesáreas desnecessárias. Um dos objetivos da campanha é reduzir as altas taxas de cesarianas no país e também melhorar a experiência da maternidade para mães e bebês.

A aprendiz de parteira Mariana Almeida, de 33 anos, atua há seis anos na área para assegurar que mulheres possam escolher o parto domiciliar de forma segura e evitar aumentar as estatísticas brasileiras de partos por cesárias de forma desnecessária. Com apoio de ferramentas da medicina chinesa, como acupuntura, ervas e oráculos, Mariana afirma que “auxilia na comunicação do ventre e coração”.

“O parto não se resume apenas ao momento do nascimento, é necessária uma rede de apoio e atenção à mãe e bebê nas primeiras semanas, que são fundamentais para o desenvolvimento humano. Parto é um evento em comunidade, muitas funções estão envolvidas e ocupo hoje lugares orgânicos de acordo com a necessidade de cada família”, afirma.

Segundo Mariana, é preciso assegurar que o parto domiciliar seja realizado em segurança. “[É gratificante] ver o quão revolucionário é para a vida da mulher e para o desenvolvimento de seu bebê passar por uma gestação, parto e pós-parto, de forma respeitosa, com informação de qualidade, baseada na vida e não na doença, com seus direitos preservados, com autonomia sobre seu corpo e seu bebê. É ver a sabedoria que nos antecede tomando seu lugar de volta”, ressalta.

Possibilidade de escolhas

Segundo a ANS, o parto normal favorece o vínculo do bebê com a mãe, fortalece o sistema imunológico e melhora o ritmo cardíaco e o fluxo sanguíneo do bebê, além de favorecer o aleitamento e promover uma recuperação pós-parto mais rápida e menos dolorosa para a mãe.

A musicista e professora Valéria Lehmann Cavalcanti, de 35 anos, espera seu sexto filho e, pela sexta vez, deve realizar o parto em casa. Com gestações de baixo risco, quatro dos seus filhos vieram ao mundo com a ajuda de uma parteira tradicional.

“Às vezes, as pessoas acham que é falta de conhecimento [a escolha pelo parto normal], pelo contrário. Depois de estudar muito sobre o assunto, decidi por isso. Vi que era o mais adequado, o mais correto para a minha situação, porque não era uma gravidez de risco. Avaliando todas as evidências e pesquisas médicas, vi que é melhor do que ir para um hospital”, conta.

De acordo com a OMS, geralmente, um primeiro trabalho de parto não se estende além de 12 horas. Trabalhos subsequentes geralmente não se estendem além de 10 horas.

“O meu primeiro [trabalho de parto] foi o que mais demorou. Foram oito horas de trabalho de parto e aí depois só foi diminuindo o número de horas nas outras gestações. Achei muito bom poder estar livre em casa, na posição que eu quisesse, com meu marido, em um ambiente totalmente confortável para mim. [Um dos meus filhos] nasceu no chuveiro. Cada filho nasceu em um canto da casa”, lembra. “A melhor experiência que tive foi em uma piscina comprada especificamente para o parto. A água alivia muito a dor. O quarto filho foi tão rápido que não deu nem tempo de entrar na piscina”, completa.

Assim como Valéria, a psicóloga Marília Tomé, de 33 anos, também optou pelo parto natural e teve seu filho, o pequeno Tito, de 5 meses, em uma casa de parto particular, em Brasília. A casa tem estrutura hospitalar com o acompanhamento de obstetras e doulas.

“Não queria nenhuma intervenção médica desnecessária no meu corpo ou no corpo do meu bebê, entendendo que o parto natural é um evento biológico natural da mulher, quando não há nenhum problema de saúde com a mulher ou com o bebê, pode acontecer sem nenhuma intervenção medicamentosa ou hospitalar”, explica. “Em um hospital, existe um protocolo de intervenções onde algumas são desnecessárias e agressivas para o bebê, e a mãe tem pouca participação nessas decisões, muitas vezes até sobre as posições mais confortáveis para parir e aliviar as contrações”, completa.

Regulamentação da profissão

Atualmente, tramita na Câmara dos Deputados um projeto de lei (PL) que regulamenta a profissão das parteiras tradicionais. De autoria do deputado Camilo Capiberibe (PSB-AP), a proposta prevê qualificação básica de parteira tradicional, pelo Ministério da Saúde ou por secretarias estaduais de Saúde, além do pagamento de um salário mínimo.

O PL 912/19 estabelece ainda que o Sistema Único de Saúde (SUS) fornecerá às parteiras tradicionais todos os equipamentos, os instrumentos cirúrgicos e os materiais de consumo necessários à adequada prestação dos serviços. Além disso, determina que a parteira deverá encaminhar a gestante ou a parturiente para avaliação médica quando for constatada gestação ou parto considerado de alto risco.

“Utilizando-se de suas mãos, de uma bacia com água e de uma tesoura ou material cortante, fazem o parto de acordo com as condições encontradas no local: à luz de vela, de lamparina ou, até mesmo, de fogueira. Dirigem-se à casa da grávida a pé, a cavalo, de bicicleta, da forma que for possível. E se não fosse pela atuação dessas mulheres resolutas, não temos dúvidas de que a mortalidade materna e perinatal apresentaria números muito maiores”, avalia o autor da proposta, deputado Camilo Capiberibe.

Segundo o parlamentar, estima-se que existam mais de 60 mil parteiras em atuação no Brasil, sendo 45 mil nas regiões Norte e Nordeste. No Estado da Bahia, conforme cálculo da Rede Nacional de Parteiras Tradicionais, haveria entre 7 mil e 8 mil. No Pará, 6 mil, no Tocantins, em Mato Grosso e em Minas Gerais, mais de 5 mil. Elas são responsáveis pela realização de 450 mil partos todos os anos.

“Mesmo diante da expressividade dos números apresentados, verificamos que as parteiras ainda trabalham em condições muito aquém das desejadas. Isso deve-se, em grande parte, ao preconceito com que a categoria é vista, sendo evidente a resistência que determinadas corporações profissionais oferecem à disseminação do parto humanizado”, argumenta Capiberibe.

Data

O Dia da Parteira Tradicional foi incluído no calendário nacional em 2015. A data tem como base a comemoração celebrada no estado do Amapá, que já homenageava a categoria em 20 de janeiro.  A data é o aniversário da parteira tradicional mais antiga de Macapá, Juliana Magave de Souza. Nascida em 1908, ela teria realizado cerca de 400 partos.

Atualmente, o Ministério da Saúde define como parteira tradicional a profissional que presta assistência ao parto domiciliar baseada em práticas tradicionais e é reconhecida pela comunidade como parteira.

Segundo a pasta, o Programa Trabalhando com Parteiras Tradicionais recolocou a melhoria do parto e nascimento domiciliar assistidos por parteiras tradicionais na pauta de discussão com estados e municípios, como uma responsabilidade do SUS e uma atribuição da Atenção Primária à Saúde.

Essas profissionais não são remuneradas pelo governo federal. A pasta informou que, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), realiza capacitação de parteiras tradicionais no estado do Amazonas, região onde a prática é bastante estabelecida. Até o momento, 416 parteiras tradicionais foram capacitadas.

Brasília: Mariana Almeida, que está estudando para ser parteira. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

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Publicado Por Heloisa Cristaldo – Repórter da Agência Brasil Brasília

Guedes participa amanhã de abertura do Fórum Econômico em Davos

Ministro será o representante do governo brasileiro no evento.

Representante do governo brasileiro no Fórum Econômico Mundial, que reúne líderes, chefes de Estado e empresários em Davos, na Suíça, o ministro da Economia, Paulo Guedes, participará amanhã (20) à noite (horário local) da abertura do evento. De terça-feira (21) a quinta-feira (23), o ministro falará em painéis e terá encontros com presidentes de multinacionais.

Segundo o Ministério da Economia, as apresentações de Guedes se concentrarão em dois aspectos: a redução do déficit fiscal no primeiro ano de governo e o aprofundamento das reformas estruturais que, segundo ele, ajudarão a economia a recuperar-se e acelerará a criação de empregos.

O ministro chegou à Suíça na sexta-feira (17) e passa o fim de semana em Zurique, sem compromissos oficiais. Na quinta-feira (16), Guedes participou de reunião na Mont Pelerin Society, na Universidade de Stanford, na Califórnia. A entidade é conhecida como um centro de pensamento de ideias liberais. Ele partiu dos Estados Unidos diretamente para o Fórum Econômico.

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, não participará da edição deste ano do encontro em Davos. O BC não informou os motivos para a decisão. No ano passado, Campos Neto, que só tomou posse no comando do Banco Central em março, dois meses depois do Fórum Econômico Mundial, integrou a delegação brasileira na condição de convidado.

Da Suíça, o ministro deverá ir para Nova Délhi, capital da Índia, onde se encontrará com o presidente Jair Bolsonaro, que visitará o país asiático entre os dias 24 e 27. O Ministério da Economia ainda não confirmou se Guedes emendará as duas viagens. Caso vá à Índia, o ministro só retornará a Brasília no dia 28. Segundo o Itamaraty, a viagem terá como destaque a assinatura de 10 a 12 acordos comerciais entre Brasil e Índia.

O presidente Jair Bolsonaro tinha anunciado, no início do mês, que iria ao Fórum Econômico. Segundo o porta-voz da Presidência da República, Otávio Rêgo Barros, o cancelamento da viagem não foi provocado exclusivamente por questões de segurança. Aspectos econômicos, políticos e internacionais, como o agravamento das tensões no Oriente Médio, contribuíram para a decisão.

Publicado Por Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil Brasília

Picanha vendida a R$4.400,00 em Goiânia

O balcão onde a carne está é pouco visitado pelos clientes de um frigorífico na Avenida Rio Verde, em Goiânia. Uma picanha chega a R$4.399,18 no local e observada com curiosidade pelos visitantes.

O quilo do produto é vendido a R$1.799,99 e a peça alcança a cifra acima por causa do peso.

Qual a origem da picanha? A carne é da raça wagyu, originária do Japão.

A fama da marca e da raça mexe com o imaginário dos churrasqueiros. Quem reúne amigos para queimar uma carne com esse preço na brasa.

Publicado por Altair Tavares

Entidades cobram do Google fim de apps pré-instalados no Android

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Um grupo de mais de 50 organizações enviou uma carta ao diretor executivo do conglomerado Alphabet, Sundar Pichai, cobrando o fim da pré-instalação de aplicativos em smartphones com o sistema operacional Android. O objetivo é evitar vulnerabilidades que afetem a privacidade e proporcionar aos usuários maior poder de escolha.

Alphabet é o nome do conglomerado criado em 2015 com a ampliação do Google. Além do mecanismo de busca, o grupo reúne o Android, maior sistema operacional do planeta, o Youtube, maior plataforma de vídeo do mundo, linhas de aparelhos (como laptops e smartphones) e subsidiárias desenvolvendo soluções diversas (de carros autônomos a produtos na área de saúde).

O comunicado aponta que fabricantes de dispositivos com o sistema operacional Android estão instalando apps que não podem ser deletados. Embora os aparelhos carreguem um selo de proteção (Google Play Protect), 91% dos programas pré-instalados não são sequer disponibilizados na loja de aplicativos da empresa, a Google Play Store.

“Esses apps pré-instalados podem ter permissões privilegiadas que os deixam operar fora do modelo de segurança do Android. Isso significa que as permissões podem ser definidas pelo app, incluindo o acesso ao microfone, câmera e localização, sem as configurações padrão do Android. Usuários estão totalmente no escuro sobre essas intrusões”, destaca a carta.

As organizações signatárias se preocupam que com isso os compradores desses aparelhos possam ser vítimas de formas de exploração indevida de dados por fabricantes de smartphones baratos, que reduzem o preço e utilizam essas estratégias para ganhar sobre as informações pessoais coletadas.

No texto, as entidades defendem uma série de medidas, como a liberdade do usuário desinstalar o app que quiser, sem que qualquer tipo de vestígio ou serviço de fundo continue rodando, a submissão dos apps pré-instalados às mesmas exigências de segurança da loja de aplicativos da Google e a inclusão de mecanismos de atualização sem utilização de informações dos usuários.

“Acreditamos que essas mudanças justas e razoáveis vão fazer uma diferença enorme para milhões de pessoas em todo o mundo, que não deveriam ter de trocar sua privacidade e segurança pelo acesso a um smartphone”, conclui a carta.

O grupo é formado por organizações de diversos países como Privacidade Internacional, Anistia Internacional, Associação para o Progresso das Comunicações (APC), Fundação da Fronteira Eletrônica (EFF) e por responsáveis por aplicações, como o mecanismo de busca Duck Duck Go e o navegador Tor. Do Brasil, participa a ONG Coding Rights.

Outro lado

Em nota à Agência Brasil, o Google afirmou que define padrões de segurança juntamente aos parceiros. “O Google trabalha com fabricantes parceiros para ajudá-los a melhorar a qualidade e a segurança de todos os aplicativos que eles decidem pré-instalar nos seus dispositivos. Nós oferecemos ferramentas e infraestrutura para ajudá-los a verificar seus softwares em busca de comportamentos que violem nossos padrões de privacidade e segurança. Além disso, o Google também fornece aos parceiros políticas claras sobre a segurança de aplicativos pré-instalados, bem como informações sobre potenciais ameaças que identificamos”, diz o comunicado.

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Publicado Por Jonas Valente – Repórter Agência Brasil Brasília

Venenos de vespa e escorpião podem auxiliar tratamento de tuberculose

Substância tem potencial para quebrar resistência de superbactérias.

Pesquisa financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico (CNPq) e desenvolvida pelo Instituto de Patologia e Medicina Tropical da Universidade Federal de Goiás (UFG) poderá criar alternativas de tratamento da tuberculose, a partir dos venenos do escorpião e das vespas. O veneno desses insetos (artrópodes) contém pedados de proteína, chamados de peptídeos, que têm ação antimicrobiana.

Esses peptídeos protegem vespas e escorpiões de contágios, porque se fixam na parede das bactérias e não permitem que haja troca de nutrientes com o meio externo e, assim, provocam a morte das bactérias. Os cientistas da UFG conseguiram modificar a proteína, aplicar em testes com camundongos para verificar o efeito sobre diversas doenças. Eles colheram bons resultados contra a tuberculose.

“Não tem como a bactéria montar um mecanismo de resistência”, assinala Ana Paula Junqueira Kipnis, coordenadora do projeto e professora do Instituto de Patologia e Medicina Tropical.

Segundo sua comparação, os outros antibióticos “têm que entrar na bactéria, interferir com enzimas no metabolismo para conseguir matá-la. A bactéria, no entanto, cria mecanismos para impedir a ação desses fármacos, jogando a droga para fora ou produzindo enzimas que quebram o remédio.”

A tuberculose é uma doença infecciosa, transmitida pelo Mycobacterium tuberculosis ou bacilo de Koch, que propaga pelo ar após fala, espirro ou tosse das pessoas infectadas, atingindo principalmente os pulmões. A forma de prevenção da tuberculose em crianças é a vacina BCG (Bacillus Calmette-Guérin). O tratamento em pessoas infectadas é feito com quatro fármacos e observação direta. A vacinação e o tratamento são ofertados gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS).

“No Brasil, a doença é um sério problema da saúde pública, com profundas raízes sociais. A epidemia do HIV e a presença de bacilos resistentes tornam o cenário ainda mais complexo. A cada ano, são notificados aproximadamente 70 mil casos novos e ocorrem cerca de 4,5 mil mortes em decorrência da tuberculose”, informa o ministério, acrescentando que o risco de adoecimento é maior entre pessoas de rua, pessoas que vivem com HIV/Aids, presos e indígenas.

Superbactérias e patentes

Os cientistas da UFG também descobriram que as substâncias contidas no veneno da vespa servem para tratar pessoas infectadas com superbactérias, como aquelas adquiridas em unidades de terapia intensiva em hospitais. De acordo com Ana Paula Junqueira Kipnis, essa é a primeira vez no mundo que se faz pesquisa com o veneno de vespa para desenvolvimento desse tipo de fármaco.

O eventual uso de novos fármacos a partir das pesquisas da UFG pode demorar até uma década. Além do depósito de patentes para registro e publicação dos resultados da pesquisa em revistas científicas, é preciso desenvolvimento de mais estudos que exigem parceria entre a universidade e empresas farmacêuticas. Antes de qualquer remédio poder ser utilizado em seres humanos, inclusive como teste, o medicamento deve ser submetido a testes clínicos exigidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Em geral, a produção de medicamentos é investimento que exige longo prazo. Afora os testes, a indústria farmacêutica precisa custear a síntese que produz o peptídeo microbiano em laboratórios com capacidade de fabricação em massa, para eventual comercialização. O laboratório que venha a se associar para a produção do medicamento deverá fazer o respectivo registro para a venda.

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Publicado Por Gilberto Costa – Repórter da Agência Brasil Brasília

Cinco fugas são registradas em presídios de Goiás neste domingo (19)

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Três detentos fugiram da Unidade Prisional Regional de Abadiânia neste domingo (19). Segundo A 3ª Coordenação Regional Prisional da Diretoria-Geral de Administração Penitenciária (DGAP), eles teriam cavado um túnel no banheiro de uma cela que deu acesso à área externa do presídio.

A DGAP, informou, por meio de nota, que as já notificou as forças policiais e que equipes estão em buscas pelos fugitivos e que já foram tomadas as devidas providências em relação à fuga.

Segundo a Diretoria, a Polícia Civil vai apurar as fugas em conjunto com a investigação interna da DGAP.

Caldas Novas

Além das três fugas em Abadiânia, outros dois detentos fugiram da cadeia de Caldas Novas na madrugada desta domingo. A 4ª Coordenação Regional Prisional da DGAP, responsável por aquele presídio, informou que seriam dois condenados por homicídios que teriam usado o pelo espaço de entrada de ar para a cela.

A Diretoria pede que quem tiver informações que possam levar à recaptura dos cinco detentos denuncie pelo número 197 da Polícia Civil, pelo 190 da Polícia Militar ou pelo (62) 3201-1212 da Ouvidoria da Secretaria de Segurança Pública. As denúncias podem ser feitas de modo anônimo.

Publicado por Diário de Goiás