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Deslizamento de terra no Japão deixa pelo menos quatro mortos

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Cidade turística, no centro do país, foi atingida no fim de semana

Equipes de resgate estão ampliando as buscas por sobreviventes, após os intensos deslizamentos de terra que ocorreram em uma cidade turística na região central do Japão durante o fim de semana. Funcionários da administração da cidade confirmaram quatros mortes e 80 pessoas desaparecidas.

Autoridades da província de Shizuoka anunciaram que a torrente de lama carregou pelo menos 130 residências e prédios na cidade de Atami no sábado (3).

Informaram também que três pessoas foram resgatadas nesta segunda-feira (5), sem ferimentos. No entanto, duas pessoas tiveram morte confirmada no mesmo dia, elevando para quatro o número de mortos.

Ainda de acordo com as autoridades, 215 pessoas têm residência registrada na área devastada. Até o momento, foi confirmada a localização de 135 moradores.

Algumas pessoas que vivem no local lembram a angústia dos últimos dias. “Eu ouvi gritos vindos de muito longe. Quando abri a porta, só consegui ver a torrente. Era como o inferno”., disse um morador.

Outro afirmou que sua mãe está desaparecida e que ia procurar por ela em volta da casa.

Pessoas que participam do resgate passavam cuidadosamente de mão em mão um bebê enrolado em um cobertor, até que chegasse a um profissional de resgate. O bebê e sua mãe haviam sido retirados de um prédio que teve o primeiro andar soterrado pela lama. Ambos passavam bem, sem grandes ferimentos.

A torrente de destroços também interrompeu o abastecimento de água e a passagem nas ruas da cidade.

Diversas pessoas foram forçadas a deixar suas casas.

Riscos

A província de Shizuoka, na região central do Japão, continua a enfrentar o risco de mais desastres. Um alerta para deslizamentos continua em vigor para a cidade de Atami, localizada na província.

Meteorologistas informaram que, desde quarta-feira, já havia caído mais chuva na província e no sul da região de Kanto do que é normalmente esperado para todo o mês de julho.

Publicado em 05/07/2021 – 09:52 Por RTP – Tóquio

PF combate grupo que fraudava licitação do INSS em Mato Grosso

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Policiais cumprem sete mandados de busca e apreensão e dois de prisão

A Polícia Federal (PF) deflagrou hoje (1º) a Operação Fake Ink, com o objetivo de combater um grupo criminoso suspeito de fraudar licitação do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), para aquisição de suprimentos de informática (cartuchos de tinta), no estado de Mato Grosso.

Segundo a PF, as investigações, iniciadas em 2020, constataram que os envolvidos criavam empresas de fachada que concorriam em pregões eletrônicos com preços abaixo do mercado. Porém, após vencerem os certames, o material entregue não correspondia ao produto especificado, diferente da marca solicitada ou falsificado.

Foram expedidos pela 5ª Vara Federal da Seção Judiciária do Mato Grosso sete mandados de busca e apreensão e dois de prisão temporária. O nome da Operação Fake Ink – tinta falsa no idioma inglês – é uma referência ao fato de a organização criminosa fornecer aos órgãos públicos em que venciam as licitações cartuchos falsificados.

Edição: Aécio Amado

Publicado em 01/07/2021 – 08:26 Por Agência Brasil – Brasília

Tensão marca reintegração de posse de terreno da Petrobras no Rio

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Área fica em Itaguaí, na região metropolitana da capital

A Polícia Militar do Rio de Janeiro cumpre hoje (1º) um mandado de reintegração de posse de um terreno da Petrobras, na avenida Deputado Otávio Cabral, sem número, em Itaguaí, na região metropolitana do Rio de Janeiro. 

Ali, vivem centenas de famílias que ocuparam o terreno e construíram barracos de madeira. A polícia chegou ao local no início da manhã. Inicialmente, houve tentativas de negociação para que as famílias deixassem a área, mas não avançaram. 

Moradores fizeram uma barreira na entrada da ocupação e colocaram fogo em madeiras e em alguns barracos. A polícia lançou jatos de água para dispersar os moradores e evitar a propagação do fogo nas casas que são muito próximas umas das outras.

Os policiais usaram também bombas de efeito moral e conseguiram entrar no terreno. Houve correria entre os moradores e surgiram novos focos de incêndio na parte de trás do terreno.

Os bombeiros do quartel de Itaguaí foram acionados às 8h05 e, dez minutos depois, receberam o apoio de colegas do quartel de Sepetiba. Eles estão usando quatro viaturas, sendo três de água para combater os focos e uma ambulância. De acordo com os bombeiros, até pouco antes das 9h30 não havia registro de vítimas.

Polícia Rodoviária Federal

Por causa do cumprimento do mandado, a via de entrada da ocupação foi interditada. A Polícia Rodoviária Federal (PRF), que também está no local informou, que, em acordo com a prefeitura, foi bloqueado o acesso à cidade para evitar manifestações no local.

Petrobras

A Petrobras informou, por meio de nota, que o mandado de reintegração de posse que está sendo cumprido foi expedido pela 2ª Vara Cível de Itaguaí, “conforme anteriormente autorizado pelo presidente do Superior Tribunal de Justiça, com o apoio da Secretaria de Assistência Social da prefeitura de Itaguaí, da Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos do Estado do Rio de Janeiro e da Polícia Militar, a fim de garantir a desocupação segura e pacífica do imóvel na Rua Deputado Octávio Luis Cabral, em Itaguaí”.

Acrescentou que, para o cumprimento da ordem judicial, forneceu kits com álcool em gel e máscara, ofereceu transporte até três rodoviárias próximas ao município de Itaguaí e serviço de armazenamento e guarda de bens em depósito contratado pela própria companhia. 

A Petrobras explicou ainda que preparou apoio para os moradores. “Foram providenciados cobertores, alimentação e colchonetes para atender às pessoas que ficarão temporariamente em abrigos disponibilizados pela prefeitura”, completou.

Publicado em 01/07/2021 – 10:03 Por Ana Cristina Campos – Repórter da Agência Brasil – Rio de Janeiro

OMS: reconhecimento de vacinas para viajantes deve ser uniformizado

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Apelo é feito no momento em que países reabrem para o turismo

Todas as vacinas da lista de emergência da Organização Mundial da Saúde (OMS) ou de outros reguladores de medicamentos devem ser consideradas para que um viajante possa ser reconhecido como totalmente imunizado, defendeu hoje (1º) a instituição.

Para a OMS, esse reconhecimento deve ocorrer mesmo em países onde algumas dessas vacinas ainda não foram aprovadas.

Em declaração conjunta com outras agências com as quais desenvolve o programa Covax, de distribuição da vacinas, a OMS pede a todos os governos regionais, nacionais e locais que reconheçam como totalmente vacinados aqueles que receberam vacinas consideradas seguras pela organização.

A lista de emergência aprovada pela OMS inclui as vacinas da Pfizer-BioNTech, Moderna, AstraZeneca, Janssen, Sinovac e Sinopharm, mas, por exemplo, as duas últimas, desenvolvidas na China e amplamente distribuídas em regiões em desenvolvimento, como África ou América Latina, não estão aprovadas pelos reguladores europeus ou norte-americanos.

O apelo é feito no momento em que muitos países se abrem para a chegada de viajantes internacionais, devido à redução gradual de casos nos últimos dois meses, embora o surgimento da variante delta em algumas áreas tenha feito com que as infecções semanais voltassem a subir globalmente.

“Qualquer medida que apenas permita que pessoas protegidas por algumas vacinas aprovadas pela OMS se beneficiem da reabertura das viagens criará um sistema duplo, aumentando as divisões globais em torno dos imunizantes e exacerbando as desigualdades”, alerta a entidade.

Além disso, “terá impacto negativo no crescimento das economias que mais sofrem”, acrescenta, referindo-se aos países em desenvolvimento. A declaração também é assinada pela Fundação para Vacinas Gavi e o Fundo das Nações Unidas para a Infância. (Unicef), parceiros na Covax.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 3,940 milhões de mortes no mundo, resultantes de mais de 181,7 milhões de casos de infecção, segundo um balanço da agência francesa AFP.

A doença respiratória é provocada pelo novo coronavírus SARS-CoV-2, detectado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Publicado em 01/07/2021 – 10:56 Por RTP – Genebra

Brasil cria 280,6 mil postos de trabalho formal em maio

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Em maio, admissões chegaram a 1,5 milhão e demissões, a 1,26 milhão

O número de trabalhadores contratados com carteira assinada em maio deste ano foi maior que o total de demitidos do mercado formal de trabalho. Segundo o Ministério da Economia, houve, no período, 1.548.715 admissões e 1.268.049 desligamentos.

Os dados constam do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), cuja atualização mensal o ministério divulgou hoje (26), em Brasília.

Com o saldo mensal de 280.666 postos de trabalho durante o mês de maio, o estoque nacional de empregos formais (total de vínculos celetistas ativos) chegou a 40.596.340, com uma variação positiva de 0,7% em comparação aos 40.315.674 registrados em abril, após o ajuste divulgado hoje (em março, eram 40.199.922).

Entre os setores de atividade econômica que registraram melhores resultados quanto ao nível de emprego estão o de serviços (110.956 postos de trabalho abertos principalmente em atividades ligadas às áreas de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas); comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas (60.480 postos), indústria geral (44.146 postos); agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (42.526 postos) e construção (22.611 postos).

Saldo positivo

As cinco regiões brasileiras apresentaram saldo positivo. No Sudeste, o mês de maio terminou com um saldo de 161.767 postos. O Nordeste, com 37.266 vagas, seguido pelas regiões Sul (36.929); Centro-Oeste (26.926 postos) e Norte (17.800 postos).

Considerado o período de janeiro a maio, houve 7.971.258 admissões e 6.737.886 desligamentos, o que representa um saldo total de 1.233.372 empregos formais para os cinco primeiros meses do ano. Em abril, este saldo era de 957.889 postos de trabalho formal.

As estatísticas completas do Novo Caged estão disponíveis na página do Ministério da Economia na internet. Os dados também podem ser consultados no Painel de Informações do Novo Caged.

Ao comentar os números, o ministro da Economia, Paulo Guedes afirmou que se trata de uma “excelente notícia”. “A economia brasileira continua surpreendendo. [Mais de] 280 mil novos empregos criados em maio, completando, nos primeiros cinco meses do ano, 1,2 milhão de novos empregos. Importante também registrar que todas as regiões, todos os setores e todos os estados registraram a criação de novos empregos. Ou seja, é um processo bastante abrangente. É a economia brasileira se levantando. E o mais importante: setores que estavam muito fragilizados, como serviços, [estão] sendo destaques deste mês [de maio]”.

Edição: Kleber Sampaio

Publicado em 01/07/2021 – 11:42 Por Alex Rodrigues – Repórter da Agência Brasil – Brasília

Série A: após queda nas receitas, analista vê recuperação em 2022

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Clubes da elite tiveram redução de 9% na arrecadação de 2019 para 2021

Impactados pela pandemia do novo coronavírus (covid-19), os times que integraram a Série A do Campeonato Brasileiro na última temporada tiveram queda de 9,1% nas receitas entre 2019 e 2020. É o que mostra o estudo anual da consultoria financeira BDO sobre as finanças dos clubes de futebol do país. O levantamento é feito desde 2010. Em entrevista à Agência Brasil, o analista Carlos Aragaki, da BDO, avaliou que as perdas podem ser recuperadas “no curto e médio prazo”, com o advento das vacinas e a reabertura dos estádios, prevista por ele para 2022.

O especialista destacou que a pandemia ainda afetará o mercado de transferências, que tem peso cada vez mais significativo no orçamento dos clubes. Segundo o estudo, as negociações de atletas equivaliam a 14% da fonte de receita média das equipes da Série A nacional em 2016. No ano passado, elas já representavam 29%.

“No que diz respeito às receitas, neste ‘novo normal’, elas podem ser retomadas no curto e médio prazo. A partir do momento em que a população estiver vacinada, a torcida retorna ao estádio e voltam as receitas de bilheteria. Agora, sobre negociação de atletas, acho que temos de esperar um pouco. Os grandes investidores [do futebol] no momento são mecenas, chineses ou árabes. Eles também sentiram impacto nos negócios [com a pandemia], não só no futebol”, argumentou Aragaki.

queda das receitas, arrecadação, clubes da série A

BDO/Divulgação

“A Europa freou as negociações, não em quantidade, mas em valores pagos. Por um tempo, não se conseguirá ter o mesmo ganho em negociações – acredito fortemente nisso – que se tinha no passado. Pode ser que o Brasil continue exportando muito, mas não nos valores de antes. [A receita de transferências] Será ainda uma significativa, mas isso vai pesar”, completou.

Conforme Aragaki, a pandemia impactou de maneira mais significativa três formas de receita: bilheteria, patrocínios e programas de sócios-torcedores.

“É tudo aquilo que envolve, vamos dizer assim, o público. A bilheteria foi fortemente afetada [pela impossibilidade dos torcedores irem ao estádio]. Clubes como Flamengo, Corinthians e Palmeiras vinham de bilheterias muito fortes, com média [de arrecadação] de R$ 60 milhões/ano. Transformando em números, a bilheteria deles seria praticamente a receita total de Coritiba, Fortaleza, Ceará, Atlético-GO e Goiás”, descreveu o analista.

“Muitos clubes perderam patrocínio. Em alguns casos, pacotes de pay-per-view foram cancelados. Ainda que, por exemplo, na pandemia, o Campeonato Paulista tenha sido retomado após dois meses parado, muita gente cancelou os pacotes e demorou a voltar e alguns sequer voltaram. O torcedor, muitas vezes, quer o [programa de] sócio-torcedor para ir ao jogo e ter privilégio na compra dos ingressos. Ainda não é a massa no Brasil que vira sócio-torcedor para visitar o clube ou trocar a camisa”, emendou.

Fontes de receitas, clubes da Série A, queda de arrecadação

BDO/Divulgação

Entre 19 dos 20 clubes da última Série A, cinco apresentaram variação positiva de receita: os três que subiram da Série B de 2019 (Red Bull Bragantino, Atlético-GO e Coritiba) e receberam mais recursos em direitos de transmissão, o Atlético-MG pela venda parcial do Shopping Center Diamond Mall, em Belo Horizonte; e o Corinthians. No caso do Massa Bruta, há ainda o início da gestão da empresa de energéticos Red Bull em 2019. O balanço do Sport não foi concluído à tempo de ser incluído na análise, finalizada em abril.

“Diria que [a pandemia] impactou 80% dos clubes da Série A. É uma preocupação das gestões para 2021, pois temos a percepção que esse aspecto negativo continuará. Os aumentos de receita foram questões pontuais. Se você as desconsidera, diria que 100% dos clubes perderam receita na fonte”, afirmou Aragaki.

Santos (40%), Internacional (36%), Fortaleza (34%), Bahia (31%) e Flamengo (30%) foram os cinco clubes com maior variação negativa de receitas entre 2019 e 2020. Na outra ponta, Ceará (1%), Grêmio (6%), Goiás (9%) e São Paulo (10%) são os que tiveram menor queda.

O estudo também analisou as receitas recorrentes – que não levam em conta arrecadações consideradas “extraordinárias”, como negociação de jogadores ou premiações. Neste recorte, o Corinthians passou a ter variação negativa (24%) e o Goiás foi a equipe mais impactada entre um ano e outro, com redução de 56%, seguido por Athletico-PR, Fortaleza (ambos 42%), Flamengo (31%) e Ceará (29%). Destes cinco, Furacão e Vozão conseguiram fechar 2020 no azul.

“A conta básica é: para fechar no azul, você tem que ter mais receita do que custo. É possível, mesmo não sendo top dez de torcida ou exposição de mídia na Série A, fazer uma gestão proativa e razoável. Por outro lado, há clubes que fecharam o ano com déficit. A saída para estes é: se não consigo aumentar a receita, terei que trabalhar para, pelo menos, reduzir custos e dívidas, porque se você tem um passivo menor, tem menos variação monetária para pagar”, concluiu Aragaki.

Edição: Cláudia Soares Rodrigues

Publicado em 01/07/2021 – 12:03 Por Lincoln Chaves – Repórter da TV Brasil e Rádio Nacional – São Paulo

Fies: alunos de medicina reclamam de aumento abusivo nas mensalidades

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Mudanças feitas no Fies em 2017 começam a gerar problemas aos alunos

Reajustes de até oito vezes nas mensalidades fazem com que estudantes de medicina, beneficiados pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), não consigam mais pagar o curso. Os aumentos, segundo entrevistados pela Agência Brasil, são frutos das mudanças feitas no Fies em 2017 e que agora começam a gerar problemas.

A reportagem conversou com estudantes da Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro, uma das poucas instituições privadas que oferecem curso de medicina no país e que integra um dos maiores grupos de educação no Brasil. Há estudantes que viram a contribuição que pagam por mês subir de cerca de R$ 400 para mais de R$ 3 mil em apenas um semestre, durante a pandemia. Como o programa é voltado para estudantes de baixa renda, com renda familiar por pessoa de até três salários mínimos, as famílias dizem não ter condições de bancar esses valores. Os casos aguardam julgamento na Justiça Federal do Rio de Janeiro.

Entre esses estudantes, está Marta*, que começou a cursar medicina no segundo semestre de 2019. “Consegui uma boa porcentagem de financiamento [acima de 90%]. Foi a oportunidade que eu tive de fazer o que eu sempre sonhei”. No primeiro semestre do curso, pagou, por mês, R$ 430. Em 2020, no segundo semestre de medicina, esse valor passou para R$ 3,4 mil por mês. A renda familiar vem da mãe, que trabalha como balconista em uma farmácia e do pai, motorista de aplicativo. “A situação era bem difícil e ainda veio a pandemia. O trabalho deles diminuiu muito”, diz. 

O aumento foi muito acima do esperado e Marta conta que não houve nenhum tipo de aviso ou justificativa. Eles procuraram a universidade e a Caixa Econômica Federal, que opera o financiamento, e tentaram fazer um novo ajuste. “Comecei a ficar com dívida, meu nome foi para o Serasa”. Ela conseguiu negociar e a dívida foi parcelada em 18 vezes. Essas parcelas, no entanto, de acordo com a estudante, somaram-se às mensalidades, elevando o valor para mais de R$ 4 mil mensais. A família vendeu um terreno que tinha e conseguiu quitar o semestre.

No segundo semestre de 2020, no entanto, os boletos começaram a chegar, o problema voltou e o caso foi levado à Justiça. “É muito desgastante. Um sentimento de não saber do seu futuro. Estar com o seu futuro e ao mesmo tempo não estar com ele. Não tem nada certo para os próximos semestres. Acaba sendo desgastante também para meus pais”, afirma. Sem quitar o semestre anterior, os estudantes têm problemas para renovar o financiamento e, consequentemente, para fazer a matrícula e se inscrever nas disciplinas.

Felipe*, que cursa o 5º semestre, está em uma situação semelhante. “Estou com uma dívida ativa caríssima. Se sair da faculdade, ainda fico com essa dívida, não tenho como pagá-la. Ou eu consigo terminar a faculdade para poder quitá-la ou fico com essa dívida para o resto da vida”, afirma. Pelas regras do programa, caso saiam da faculdade, os estudantes precisam pagar o que receberam até o semestre em curso.

“Entrei na faculdade em 2019 com o Fies e quando fui ao banco fazer o contrato e as simulações, o gerente até brincou comigo, disse que como eu ia fazer medicina, a mensalidade não ia passar de R$ 1,2 mil. Pela minha renda e da minha família, consegui uma boa porcentagem de financiamento”, conta. O valor mensal, no entanto, subiu para mais de R$ 3 mil e o estudante não conseguiu mais pagar.

A mãe de Felipe é dona de casa e o pai, pedreiro. “Para mim, é muito importante terminar os estudos. Eu fiz o meu ensino fundamental e médio em escola pública. Foi uma conquista minha, não fiz cursinho porque não conseguia pagar, continuei os estudos em casa. Trabalhava e estudava. Conseguir concluir o curso é ser a primeira pessoa da minha família a concluir a faculdade”, diz.

Casos na Justiça

A advogada Claudiceia Nascimento Rocha, que representa 31 estudantes de medicina, considera os aumentos abusivos, pois não levaram em consideração a renda familiar dos estudantes. “O Fies foi criado para facilitar que alunos de baixa renda conseguissem se formar em cursos caros, aumentando a quantidade de médicos, de engenheiros, a intenção foi essa. Só que hoje, o programa está totalmente desfigurado do projeto inicial porque os alunos não têm mais como arcar com a coparticipação”, diz.

Os processos envolvem tanto a Estácio, que segundo a advogada não está sendo transparente em relação aos valores, quanto a própria Caixa e o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), autarquia ligada ao Ministério da Educação (MEC), responsável pela gestão do programa.

A intenção, segundo a advogada, é que os alunos possam concluir os estudos e que sejam cobrados valores factíveis. “Os alunos hoje não vão se formar e vão ter uma dívida antecipada do Fies que não conseguirão pagar”, defende.

Fies

Criado em 1999, o Fies oferece financiamento a estudantes de baixa renda em instituições particulares de ensino a condições mais favoráveis que as de mercado. O programa, que chegou a firmar, em 2014, mais de 732 mil contratos, sofreu, desde 2015, uma série de mudanças e enxugamentos. Em 2019, foram cerca de 67 mil ingressantes no ensino superior pelo Fies, segundo o último Censo da Educação Superior. 

Um dos principais motivos para as mudanças nas regras do Fies, de acordo com gestões anteriores do MEC, foi a alta inadimplência, ou seja, estudantes que contratam o financiamento e não quitam as dívidas após formados. O percentual de inadimplência registrado pelo programa chegou a atingir mais de 40%, de acordo com dados do MEC de 2018.

No final de 2017, foi lançado o Novo Fies, que passou a dividir o programa em diferentes modalidades e começou a ser operado em 2018. Os estudantes passaram a contribuir mais, ainda durante os cursos, com uma coparticipação, para evitar prejuízos posteriores aos cofres públicos.

O chamado Fies juro zero, financiado pelo governo federal, é voltado para alunos cuja renda familiar bruta mensal por pessoa não ultrapasse três salários mínimos. Os estudantes entrevistados são beneficiados por essa modalidade. O percentual de financiamento é definido de acordo com o comprometimento da renda familiar e os valores cobrados pela instituição de ensino superior. O Novo Fies tem também um teto de financiamento, que é de cerca de R$ 43 mil por semestre, que corresponde a mais ou menos R$ 7 mil por mês. 

Hoje, o estudante beneficiado precisa pagar, mensalmente, o valor da coparticipação, que corresponde à parcela dos encargos educacionais não financiada, diretamente ao agente financeiro, ou seja, à Caixa. Se um estudante obtém, por exemplo, um financiamento de 90%, precisa pagar 10% da mensalidade ainda durante o curso. Caso o preço do curso exceda o limite de financiamento do Fies, cabe ao estudante pagar também essa diferença.

Estácio

Segundo a Estácio, o aumento do valor pago pelos estudantes de medicina vem dessa diferença entre o teto do Fies e a mensalidade do curso e não há, por parte da instituição, cobranças abusivas.

Procurada pela Agência Brasil, a Estácio diz que, até 2019, a instituição, que era a interlocutora financeira, cobrava um valor de semestralidade para os alunos Fies inferior ao praticado para os demais estudantes do curso e limitado ao teto estabelecido pelo programa de financiamento, que é de cerca de R$ 43 mil. Os beneficiados pelo Fies pagavam somente o valor não financiado por mês. “Era uma liberalidade da instituição precificar sua semestralidade de forma a contribuir para que seus alunos Fies conseguissem manter os seus estudos. Esta prática não é comum nos cursos de medicina”, diz, em nota.

A Estácio afirma que, a partir do primeiro semestre de 2020, devido a uma mudança no sistema aplicado pelo Fies, a Caixa passou a ser a responsável pela cobrança financeira do aluno. Agora, quem emite o boleto é o banco e não mais a instituição de ensino. Com isso, começou a ser cobrado o valor praticado para os demais alunos de cerca de R$ 60 mil por semestre.

“Os boletos passaram a ser emitidos pelo banco, considerando a faixa real da semestralidade praticada pela IES [Instituições de Ensino Superior] para todos os seus alunos de medicina, ocasionando a diferença de valor citada. É importante lembrar que o estudante de medicina tem ciência dos valores ao aditar o contrato com o Fies no começo de cada período”.

A universidade afirma ainda que está avaliando os casos dessa natureza e estudando soluções que visam amparar os estudantes nos próximos ciclos. 

Programa esvaziado

Para o diretor executivo da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes), Sólon Caldas, o programa está ficando cada vez mais inviável tanto para novos alunos quanto para os que já estão matriculados. Segundo ele, os casos dos estudantes de medicina não são isolados. 

Na avaliação de Caldas, as mudanças no Fies fizeram com que o programa perdesse o caráter social, que possibilitava o ingresso de estudantes das classes C, D e E no ensino superior, e passasse a ter um caráter financeiro. O diretor executivo da Abmes diz que, quando as mudanças estavam sendo discutidas no Congresso Nacional, as instituições alertaram para problemas futuros como uma maior dificuldade dos estudantes em pagarem os encargos, o que está ocorrendo agora. 

Segundo Caldas, o programa deixou de ser vantajoso para os alunos. “Os estudantes preferem ter uma bolsa de estudos de 30%, 40% [ofertada pela própria instituição] do que contratar o financiamento estudantil”, diz. No caso dos cursos de medicina, que são mais caros e concorridos que os demais, ele explica que, geralmente, não há oferta de bolsas e os estudantes acabam recorrendo ao financiamento.

A questão do endividamento e da evasão dos alunos é uma preocupação das instituições de ensino particulares que detêm hoje pouco mais de 75% de todas as matrículas do ensino superior do país.

No ano passado, entidades representantes das instituições particulares de ensino assinaram um ofício encaminhado ao governo federal chamando atenção para “o extremo risco de evasão de estudantes, especialmente nos cursos da área da saúde, com um reflexo prejudicial não só em toda economia, mas também diretamente no enfrentamento da própria pandemia no âmbito das ações estratégicas do governo federal”.

Segundo o documento, a crise provocada pela pandemia da covid-19 “está atingindo duramente os estudantes de menor renda matriculados no ensino superior particular onde juntos eles representam 65% do total dos alunos, ou seja, cerca de 4,142 milhões de estudantes pertencentes às classes C, D, E”.

Caldas explica que o pedido é por um Fies Emergencial que cubra até 100% da mensalidade – o que não é mais praticado pelo Fies – de acordo com as necessidades de cada estudante. “A gente pediu muito ao governo, sobretudo na pandemia, que pudesse oferecer um Fies Emergencial para socorrer vários alunos que não estão conseguindo se manter matriculados nem ingressar no ensino superior”, diz.

FNDE

Procurado, o FNDE disse que iniciou um estudo para avaliação das mensalidades dos cursos de medicina, uma vez que recebeu um elevado número de demandas, em especial, de estudantes da Estácio.

Sobre possíveis mudanças para que o programa se torne mais viável a alunos carentes, o FNDE diz que eventuais distorções no Fies “são discutidos entre MEC, FNDE e CG-FIES [Comitê Gestor do Fies] de forma que o programa contribua cada vez mais para o acesso e permanência dos estudantes no ensino superior que não podem arcar com os encargos educacionais, alinhado com o previsto no Plano Nacional de Educação”. 

*Os nomes foram trocados a pedido dos estudantes 

Edição: Lílian Beraldo

Publicado em 01/07/2021 – 12:04 Por Mariana Tokarnia – Repórter da Agência Brasil – Rio de Janeiro